Após o falecimento de Rashi, em 1105, seu trabalho sobre o Talmud teve continuidade através de um grupo de eruditos, que foram denominados "Tossafistas" (suplementadores) , também conhecidos como "Baalê Ha-Tossafót" (mestres das Tossafót) (Tossafót ou Tosfót = adição, adendo), entre os quais alguns eram seus netos ou bisnetos como, por exemplo, os rabinos: Jacob ben Meir (Rabenu Tam) e Shemuel ben Meir (Rashbam).
Este grupo de Tossafistas chegou a cerca de 150 sábios, que viveram em França e Alemanha do XIIº ao XIVº século, e que com o término da era dos Gueonim Babilônicos, foram considerados os seus sucessores, tendo este período da história judaica ficado conhecido como Período dos Rishonim ("os Primeiros") .
As Tossafót são uma coleção de explicações e interpretações da Guemará, geralmente anotadas às margens do texto das Guemarót (plural de Guemará) pelos discípulos dos sábios durante as aulas. Eruditos de gerações posteriores editaram e organizaram essas anotações, e desde então elas foram incorporadas às edições do Talmud, nas margens externas das páginas da Guemará. Desta forma criaram um conjunto de comentários independentes dos de Rashi, onde abordam pontos não comentados por ele, ou até algumas vezes discordando dele.
O intuito dos comentários dos tossafistas foi:
1) selecionar entre os textos manuscritos, disponiveis na época, a versão mais correta.
2) organizar a ordem dos tratados e capítulos do Talmud considerando as conexões entre eles.
3) facilitar o esclarecimento de contradições ou dúvidas no texto, por meio da identificação do autor, se Tanaíta ou Amoraíta.
4) traduzir palavras de dificil compreensão do texto do Talmud, não vertidas para o hebraico, ou preencher lacunas não comentadas em trechos da Guemará.
5) solucionar problemas de lógica relativos à Guemará e à comentários do Talmud.
6) perante uma discussão haláchica (legal) decidir qual visão deve ser seguida, principalmente quando concernentes à temas de interesse prático para a época em que viviam.
7) fazer do Talmud um texto perfeito para ser usado como base da lei judaica, solucionando contradições da Guemará.
Além dos comentários dos Tossafistas que estão impressos nas margens externas das edições do Talmud, existem outras coleções de comentários que também foram chamadas Tossafót.
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quinta-feira, 1 de janeiro de 2009
domingo, 28 de dezembro de 2008
O maior dos mestres judeus foi um vitivinicultor francês.
Entre os maiores mestres judeus de todos os tempos, senão o maior, encontra-se um vitivinicultor francês (cultivador de vinhas e fabricante de vinhos), que produziu alguns dos mais famosos vinhos franceses. Tal como os vinhos, que produziu, suas obras de erudição foram se tornando melhores e continuam sendo mais e mais reverenciadas com o passar dos anos.
O Rabi Shelomo ben Its'chac, mais conhecido pelo acrônimo Rashi, nasceu no ano de 1040 em Troyes, França, quase na fronteira com a Alemanha. Estudou com o rabino Isaac Halevi em Worms, e depois no principal centro de estudo talmúdico da épóca, em Mainz, com o rabino Jacob ben Iacar, que fora discípulo do grande rabino Guershom.
Rashi percorreu ainda vários centros de estudo talmúdico antes de reestabelecer-se em Troyes onde iniciou sua própria academia, além de atuar como vitivinicultor e produzir sua monumental obra. Como pôde escrever tanto? Explica-se que ele foi abençoado com três filhas, que conheceram profundamente a Bíblia e o Talmud, e que atuaram como suas escribas. As três filhas casaram-se com três de seus discípulos e alguns de seus descendentes tornaram-se, por sua vez, importantes eruditos.
Há séculos os estudiosos vem se surpreendendo com a magnitude das obras de Rashi, desde o longo e contínuo comentário sobre tôda a Bíblia, e que por essa razão tornou-se a primeira óbra judaica impressa em 1475, até o exaustivo trabalho esclarecedor e altamente erudito sobre o Talmud da Babilônia.
Rashi revelou-se um notável professor, pois em cada comentário, seja qual for a densidade de seu conteúdo, foca com precisão a dúvida que assalta o leitor e com estilo perfeito, sucintamente, adota os melhores princípios da arte da educação para seu esclarecimento, em hebráico claro e conciso.
Em 1095 foi organizada a primeira Cruzada e aconteceram perseguições aos judeus da França, que atormentaram os últimos anos de Rashi, que veio a falecer em 13 de julho de 1105.
O Rabi Shelomo ben Its'chac, mais conhecido pelo acrônimo Rashi, nasceu no ano de 1040 em Troyes, França, quase na fronteira com a Alemanha. Estudou com o rabino Isaac Halevi em Worms, e depois no principal centro de estudo talmúdico da épóca, em Mainz, com o rabino Jacob ben Iacar, que fora discípulo do grande rabino Guershom.
Rashi percorreu ainda vários centros de estudo talmúdico antes de reestabelecer-se em Troyes onde iniciou sua própria academia, além de atuar como vitivinicultor e produzir sua monumental obra. Como pôde escrever tanto? Explica-se que ele foi abençoado com três filhas, que conheceram profundamente a Bíblia e o Talmud, e que atuaram como suas escribas. As três filhas casaram-se com três de seus discípulos e alguns de seus descendentes tornaram-se, por sua vez, importantes eruditos.
Há séculos os estudiosos vem se surpreendendo com a magnitude das obras de Rashi, desde o longo e contínuo comentário sobre tôda a Bíblia, e que por essa razão tornou-se a primeira óbra judaica impressa em 1475, até o exaustivo trabalho esclarecedor e altamente erudito sobre o Talmud da Babilônia.
Rashi revelou-se um notável professor, pois em cada comentário, seja qual for a densidade de seu conteúdo, foca com precisão a dúvida que assalta o leitor e com estilo perfeito, sucintamente, adota os melhores princípios da arte da educação para seu esclarecimento, em hebráico claro e conciso.
Em 1095 foi organizada a primeira Cruzada e aconteceram perseguições aos judeus da França, que atormentaram os últimos anos de Rashi, que veio a falecer em 13 de julho de 1105.
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