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domingo, 7 de dezembro de 2008

A Torá Shebeal Pê (A Torá Oral) - Para que Torá Oral? A Torá Escrita não era suficiente?

O texto de uma lei deve expressar, de forma inequívoca e sucinta, o princípio básico que ela determina. Entretanto o princípio básico por si só, muitas vezes, não esclarece o “modus operandi” pelo qual será colocado em prática, nem as diferentes circunstâncias que, eventualmente, poderão interferir na forma do cumprimento da lei.

Torna-se necessária a “regulamentação” da lei, ou seja, a definição das normas que orientarão seu cumprimento em qualquer circunstância e mesmo assim, algumas vezes, a questão ainda deve ser submetida à um tribunal para que este analise os aspectos inéditos, assegurando-se de que o princípio básico esteja sendo realmente obedecido.

Este procedimento envolve a “interpretação” da “letra” para conformar-se ao “espirito” da lei, e é uma decisão que sempre terá a mesma “qualidade” daqueles que julgam.

Obviamente, para homogenizar os procedimentos interpretativos e assegurar a uniformidade é que foi dada, juntamente com a Torá Shebichtav (a Torá Escrita), a “regulamentação” ou seja a Torá Shebeal Pê (a Torá Oral), que explica os detalhes da observância das leis da Torá escrita.

Ou seja transmitia-se a metodologia para a derivação de Halachót (leis) da Torá. Este procedimento permitiu aos eruditos de várias gerações legislar a respeito de aspectos novos que não estavam explícitos na Torá escrita.

Esta derivação de leis da Torá escrita, por meio de análise e interpretação de seu texto, de acordo com regras exegéticas pré-definidas estabeleceu uma importante fonte de leis, o Midrash Halachá (raiz "Darash"= inquirir, investigar).

Estabeleceu-se também um outro tipo de Midrash, o Midrash Agadá (narrativa de tudo que não se constitui em lei) onde a leitura da Torá escrita é feita com significados diferentes daqueles que são perceptíveis a primeira vista, considerando-se apenas o entendimento literal.

Estas interpretações enriqueceram e iluminaram novas formas de entendimento da Torá escrita.

Sim... mas, por que adotou-se a transmissão oral?

Porque não se tratava apenas de um elenco de instruções processuais, tratava-se na verdade de um “curso presencial de capacitação”, capaz de habilitar aqueles que definiriam como as leis escritas deveriam ser cumpridas, em qualquer circunstância inédita que pudesse vir a ocorrer futuramente.


segunda-feira, 27 de outubro de 2008

O judaismo é uma religião legal?

O judaismo é uma religião de ação, e não de crença, ou talvez possamos dizer, de crença na ação, pois "agir como se deve agir" cria a consciência sacralizada que valoriza a vida.
Necessitavamos então de um manual de vida, que nos instruisse "como deveriamos agir"!
É exatamente por isso que recebemos a Torá, que considerada em sentido amplo, abrangendo não apenas a Torá escrita, o "Pentateuco", mas todos os livros posteriores e também a "Torá Oral", que abriga uma mescla de debates e comentarios, sobre questões cruciais como: o que significa ser humano, como agir para ter uma vida significativa que faça sentido, além de relatos, história, princípios éticos e "midrashim" (interpretações, relatos instrutivos), desenvolvidos por inúmeras gerações de "Talmid Chachám" (estudante de sabedoria).
Tudo isto compos uma imensa Enciclopedia de Saber, e estruturou um "Código", que contemplou todos os setores e aspectos religiosos ou profanos de nossa vida: a organização e a justiça social, o comportamento, as normas de relacionamento, o aperfeiçoamento pessoal, a liturgia, a filosofia, a medicina, a agricultura, a alimentação, estruturando juridicamente os direitos: religioso, civil, comercial, criminal, de propriedade (e até facetas que só recentemente tornaram-se preocupação geral: urbanismo, ecologia, sustentabilidade, respeito aos animais), e que se constituiu efetivamente em nossa "LEI".
Portanto a "TORÁ" é nosso Manual de Instruções para a Vida, é o Ensinamento, é a nossa "LEI", e a resposta ao título é:
Sim, o judaismo é uma religião "Legal" (com todas as suas conotações)!

terça-feira, 10 de julho de 2007

Cristãos Evangélicos Messiânicos.

Segundo minha concepção D'us é o D'us de todos, absolutamente de todos, independentemente da religião professada por cada um. As religiões foram criadas, todas elas, pelos seres humanos, para atender ao chamado de D'us, e também para expressar a sua própria busca por Ele. O Criador não necessita religião!
Da mesma forma com que cada um, em suas orações, dirige-se à D'us em sua própria lingua, de acordo com sua maneira de se expressar, também sua forma religiosa foi moldada por sua cultura, seus costumes, valores, convicções e concepções humanas características de seu povo. Portanto todas as religiões se equivalem, em princípio nenhuma tem o privilégio de ser a única a ter o domínio da verdade absoluta, já que esta só a D'us pertence. Não há a necessidade de que uma pessoa abandone sua expressão religiosa de berço, para adotar outra que aparentemente seja mais prestigiada, mas que não contemple a sua raiz cultural. Todas são válidas perante D'us. Mas, se eventualmente a insatisfação com sua tradição de berço tornar-se insuportavel, esta pessoa poderá adotar outra tradição, desde que consciente da seriedade que envolve esta atitude, pois ela deverá renegar suas raizes culturais definitivamente, e abraçar a tradição escolhida com todo o seu ser, como se nela mesma tivesse nascido e se desenvolvido. Não é uma tarefa simples e muito menos fácil, requer toda a dedicação que for possível reunir, e está frequentemente repleta de angústias e sofrimento. O que nunca, jamais, em hipótese alguma deve acontecer, é a tentativa de "servir a dois senhores" simultaneamente, objetivando a um "sincretismo", que representará uma traição, uma infidelidade à ambas tradições!
Pode ser que os primeiros Cristãos, aqueles contemporâneos de Jesus, fossem Judeus fieis ao judaismo, mas com o decorrer de centenas de anos, e a adoção do Cristianismo pelo Império Romano, a maior parte dos princípios judaicos foram substituidos por outros provenientes da cultura greco-romana, e posso afirmar sem nenhuma dúvida, que muito pouco restou em comum entre as duas religiões, e a grande maioria dos princípios são hoje totalmente discordantes. É necessário que se tenha em mente que também o judaismo evoluiu, hoje em dia o que se conhece como a tradição judaica é o chamado judaismo rabínico, fruto de séculos de debates e interpretações elaboradas por inúmeras gerações de Talmid Chachám (Estudante de Sabedoria), no que se convencionou denominar como a "Torá Oral".
Não basta portanto estar baseado na Biblia, na "Torá Escrita", para se compreender o que é hoje o judaismo, ficam faltando as interpretações, as dúvidas, os debates altamente elaborados, segundo técnicas dialéticas muito particulares, reunidas no "Talmud". Espero ter conseguido traçar um panorama legivel, e exorto os "Cristãos Evangélicos Messiânicos" a que não traiam a sua tradição, que é tão válida e bonita quanto qualquer outra, tentando se fazer passar por algo que eles absolutamente não são, até porque não sabem o que é ser Judeu!
Respeitamos a sua crença e tradição, e gostariamos de poder receber esse mesmo respeito às nossas tradições!