Os Dez Mandamentos foram recebidos, no ano judaico de 2448, aos pés da montanha, que fumegava como o "fumo de fornalha", enquanto estremecia sob o crescente som do "Shofar" (corneta de chifre de carneiro) Shemot (Êxodo) 19:18.
Os Dez Mandamentos, em conjunto com as 620 letras usadas para escreve-los, são o melhor "resumo" das 620 "mitzvot"(preceitos), ou seja são 613 preceitos + 7 acrescentados posteriormente por "Estudiosos do Saber", inspirados na própria Torá).
Os Dez Mandandamentos estavam gravados em dois blocos de pedra.
As Leis gravadas no primeiro bloco tratam das obrigações "religiosas" que o homem tem para com o seu Criador:
1. Eu sou o Eterno, teu D'us, que te tirou da terra do Egito, da casa dos escravos.
2. Não terá outros deuses diante de Mim. Não farás para ti imagens de escultura, figura alguma do que há em cima, nos céus, e abaixo, na terra, e nas águas, debaixo da terra. Não te prostarás diante deles, nem os servirás.
3. Não jurarás em nome do Eterno, teu D'us, em vão.
4. Estejas lembrado do dia de "Shabat" (sábado) para santifica-lo.
5. Honrarás a teu pai e a tua mãe, para que se prolonguem os teus dias sobre a terra, que o Eterno, teu D'us, te dá.
Não se surpreenda, não há nenhum engano na posição do quinto mandamento, seu lugar é ai mesmo, pois os pais nos deram a vida, são nossos criadores aqui na Terra, e merecem respeito semelhante ao que devemos ao nosso Criador Todo-Poderoso.
O segundo bloco contém as obrigações "civis", aquelas que regem os relacionamentos entre pessoas:
6. Não matarás.
7. Não adulterarás.
8. Não furtarás.
9. Não darás falso testemunho contra teu próximo.
10. Não cobiçarás a casa de teu próximo, não cobiçarás a mulher de teu próximo, seu servo, sua serva, seu boi, seu asno e tudo o que seja de teu próximo.
Os cristãos, tanto católicos quanto protestantes ou evangélicos, tem modos diferentes de enumerar os Dez Mandamentos.
Observe-se que o primeiro e o último mandamentos são direcionados ao coração das pessoas, não exigindo que se faça algo.
Os oito mandamentos intermediários exigem que a pessoa faça ou deixe de fazer algo concretamente.
O "Midrásh" (relato instrutivo) ensina que os dois blocos foram dados juntos, porque não devemos separar nossa vida espiritual, interior, da vida secular, mundana. O judaismo não é para ser praticado apenas nas sinagogas, não está restrito apenas aos nossos compromissos com D'us.
A Torá, tal como a recebemos, determina que ser religioso é tanto ser praticante quanto agir eticamente. Em todos os aspéctos nossa vida será examinada, conforme as leis gravadas nos dois blocos de pedra. Para o judaismo um delinquente religioso é tão paradoxal quanto um ateu praticante.
Em verdade, para a tradição judaica, devemos priorizar as pessoas, pois nas palavras de Elie Wiesel (Prêmio Nobel da Paz em 1968):
"Se eu quizer me aproximar de D'us, tenho que me aproximar de meus semelhantes. Se eu sou seu amigo, sou amigo de D'us. Se eu sou seu inimigo, sou inimigo tanto de D'us quanto de Suas criaturas."
Ou também, de um pregador cristão, Cotton Mather (1663-1728):
"Ai daqueles que oram para D'us com todo o coração aos domingos e maltratam seus semelhantes nos demais dias da semana."
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quarta-feira, 29 de outubro de 2008
As Dez Mais ou... , A Torá resumida?
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quinta-feira, 16 de outubro de 2008
"De Moisés a Moisés não houve outro como Moisés"
A tradição judaica faz essa afirmação porque, desde o profeta Moisés, que conduziu os judeus para fora do cativeiro egípcio, e recebeu os mandamentos da Torá diretamente de D'us, até que surgisse o Rabino, médico e filósofo Moshé ben Maimon, o Rambám (ou Maimônides, filho de Maimon) (14 de Nissan - 1135 / 20 de Tevet - 1204), não houve um sábio que explicasse ao povo judeu, de forma tão clara, os ensinamentos recebidos pelo primeiro Moisés.
Maimônides demonstrou que usar a razão para desenvolver a fé é perfeitamente lógico, e tornou-se o único filósofo capaz, até hoje, de navegar nos rios das quatro grandes culturas: judaica, arabe, greco-romana e ocidental, tornando-se assim o pensador judeu mais importante da Idade Média.
Maimônides, para seguir os ensinamentos do Talmud de não usar a religião para se manter, tornou-se médico da corte do Sultão do Egito, mas mesmo assim ainda encontrou tempo para conhecer as obras dos grandes pensadores de outras culturas, entre eles Platão e Aristóteles, e é claro, sem deixar de tornar-se um mestre da Biblia e do Talmud.
Maimônides foi o primeiro a sistematizar todas as leis dispersas pelo Talmud em um compêndio sobre a Halachá (a Lei, o ensinamento, o caminho a seguir), que denominou Iád Hachazacá "A Mão Forte", para deixar claro que a obediência à Lei e o cumprimento dos preceitos (mitzvót) é que atende plenamente às nossas obrigações com D'us, tornando-nos melhores judeus, mais do que as nossas convicções, pois as ideias podem ser esplêndidas mas, se não forem transmutadas em ações, de nada valerão, reafirmando portanto que o judaismo é uma religião do fazer, da ação. Este compêndio também é conhecido como "Mishnê Torá" (Segunda Torá).
Maimônides amalgamando seus extensos conhecimentos judaicos e seculares elaborou a obra-prima da filosofia judaica: "O Guia dos Perplexos", onde dirige aqueles religiosamente pertubados e perplexos para o caminho da superação de suas dúvidas, provando que os judeus não temem a abordagem filosófica, e que, aqueles intelectualmente corajosos, com ela atingem a fé com convicção lógica, cumprindo as mitzvót, os mandamentos da Torá.
Maimônides demonstrou que usar a razão para desenvolver a fé é perfeitamente lógico, e tornou-se o único filósofo capaz, até hoje, de navegar nos rios das quatro grandes culturas: judaica, arabe, greco-romana e ocidental, tornando-se assim o pensador judeu mais importante da Idade Média.
Maimônides, para seguir os ensinamentos do Talmud de não usar a religião para se manter, tornou-se médico da corte do Sultão do Egito, mas mesmo assim ainda encontrou tempo para conhecer as obras dos grandes pensadores de outras culturas, entre eles Platão e Aristóteles, e é claro, sem deixar de tornar-se um mestre da Biblia e do Talmud.
Maimônides foi o primeiro a sistematizar todas as leis dispersas pelo Talmud em um compêndio sobre a Halachá (a Lei, o ensinamento, o caminho a seguir), que denominou Iád Hachazacá "A Mão Forte", para deixar claro que a obediência à Lei e o cumprimento dos preceitos (mitzvót) é que atende plenamente às nossas obrigações com D'us, tornando-nos melhores judeus, mais do que as nossas convicções, pois as ideias podem ser esplêndidas mas, se não forem transmutadas em ações, de nada valerão, reafirmando portanto que o judaismo é uma religião do fazer, da ação. Este compêndio também é conhecido como "Mishnê Torá" (Segunda Torá).
Maimônides amalgamando seus extensos conhecimentos judaicos e seculares elaborou a obra-prima da filosofia judaica: "O Guia dos Perplexos", onde dirige aqueles religiosamente pertubados e perplexos para o caminho da superação de suas dúvidas, provando que os judeus não temem a abordagem filosófica, e que, aqueles intelectualmente corajosos, com ela atingem a fé com convicção lógica, cumprindo as mitzvót, os mandamentos da Torá.
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